quarta-feira, 28 de abril de 2010

Em análise - o Justo de D. João II

De facto, as imagens publicadas da moeda o Justo de D. João II não lhe fazem a devida justiça. Só na sua presença é que podemos apreciar a sua beleza. Quando se pega nesta moeda pela primeira vez, o que salta imediatamente à vista é o seu espelhado, como se a moeda estivesse cromada, o que lhe dá um ar algo artificial. Se fosse cunhada em prata teria certamente um ar mais natural.

Numa perspectiva geral, a moeda, toda ela, foi cunhada por forma a assemelhar-se o mais possível a uma moeda de cunhagem manual. E este trabalho está muito bem conseguido.  A cunhagem está descentrada. O campo, embora liso, aparenta estar de alguma forma ondulado. O bordo é liso, porém irregular, mostrando marcas de raspagem que fazem lembrar as moedas cerceadas. Os desenhos estão  fielmente reproduzidos e a legenda + 5€ : REPVPLICA PORTUGVESA : 2010 enquadra-se impecavelmente em todo o conjunto da moeda.

O meu único reparo vai para o anverso uma vez que faltam as palmas que ladeiam o escudo real e, tal como no original, a sua presença embelezaria e compunha ainda mais a moeda. Para além disso, as palmas são um elemento imprescindível da moeda, uma vez que ligam com o mote inscrito no reverso - IVSTVS : VT : PALMA : FLOREBIT (o justo florescerá como a palmeira).

Esta é, sem dúvida, mais uma excelente moeda e um soberbo trabalho, tal como o morabitino de D. Sancho II. A continuar neste caminho, a série Tesouros Numismáticos vai certamente ficar para a história da numismática portuguesa como uma das mais belas. Pena é que a cunhagem normal destas moedas não sido feita em prata, um metal nobre e mais condizente com a importância que se pretendia dar a esta série.

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